Projeto do Instituto Marlin Azul, de Vitória/ES, nos torna cineastas de nós mesmos
* Por Poliana Guerra
Sabe quando você integra um ‘negócio’ por acaso, por sugestões alheias, gente muito massa e de perfil muito parecido com o seu? Sabe quando você vai porque, vindo de quem vem, sendo na área que é o projeto “Curta Vitória Minas”; cultura, arte, cinema, literatura, tudo junto misturado; não pode dar errado? Sabe assim? Não sei, só sei que foi assim…
Não conhecia muito o projeto até a gestora de cultura Sandra Coelho fazer parte, me dar a dica e as conexões para fazer também. Eu assisti ao filme dela, me empolguei e decidi concorrer, até ser selecionada, participar e pirar! Não tenho palavra melhor para descrever tudo isso que ainda está passando por mim que é uma avalanche. De conhecimento, aprendizado, conexões, crescimento, cultura… e vontade!
Conhecer mais do projeto me fez admirar muito sua essência, de cultura original, de baixo para cima. Cultura popular, dotando-a de asas para alcance!
O projeto do Instituto Marlin Azul, em Vitória (ES), consiste na seleção das melhores histórias enviadas por moradores das cidades-estação da Estrada de Ferro Vitória Minas. As eleitas são transformadas em filme. E mais: Pelos próprios autores!

Foto: Mariana de Lima/Instituto Marlin Azul. Equipe selecionada na edição 2025 do projeto
O projeto tem duas dimensões ocultas imensas! Bem, não são ocultas, mas são, assim, intrínsecas e são, para mim, as duas características mais valiosas!
A primeira é o cunho popular da fonte deste projeto imenso. A fonte são histórias das pessoas, nos trilhos do trem. Não tem critério, senão a qualidade. O autor não tem que ser graduado, escritor, professor, literato, cineasta, nada! Tem que ter uma história. E escrevê-la.
A segunda, dentro da primeira, é o cunho educacional desta arte imensa, que é o cinema. Os vencedores passam por uma super imersão nas áreas e nas artes do cinema, no nosso caso, por 15 dias. Aulas de dia inteiro, supra intensas, porque de universos novos para todos nós!
Superação
Minha história se chama “Eu sou é eu mesma” e se baseia em meu processo de recuperação de mim mesma, depois de um acidente grave em que perdi a memória, o raciocínio, a consciência e a personalidade. Me perdi de mim e minha história é esta busca: “eu caçador de mim”.
O maior desafio foi e é, para mim, a linguagem, transpor o universo da escrita, que me é familiar, e alcançar o de imagens e sons, em que sou estrangeira nata. O texto é muito confessional, subjetivo e introspectivo. Alcançar imagens, com a mesma expressividade, é o meu maior desafio!
Resultados
Mas, nós, ganhadores, temos dois grandes coringas, a nosso favor, neste campo. Um deles é a equipe de profissionais ao nosso redor, que se divide (se une, na verdade) na turma do IMA, instituto promotor do projeto e nos profissionais do cinema nos orientando e assessorando. Roteiro, som, imagem, direção, direção de arte, edição, toda pauta, todos os dias, até virar ação, nas nossas mãos (nós com eles, nós por eles).
O outro é o aprendizado e compartilhamento de experiências por todos nós, ganhadores das #historiasqueviramfilmes, futuros diretores. Assistir aos primeiros passos uns dos outro tem sido enorme. Somos e temos os olhos do outro, uns para os outros. Aprendemos, praticamos e nos avaliamos, com a supervisão e cumplicidade dos profissionais em nosso entorno.
Já somos cúmplices e parceiros extremos, originários de uma convivência incomum e intensa! Você que me lê, mora às ‘margens’ da Estrada de Ferro Vitória Minas? E tem uma história? Visita o site e acompanhe o Instagram do IMA que sua história pode ganhar as telas.
Saiba mais:
https://institutomarlinazul.org.br/
https://curtavitoriaaminas.com.br/
@institutomarlinazul
* Poliana Guerra é jornalista, natural de Nova Era e teve seu filme selecionado em 2025.





