Em meio aos shows, concurso de marcha e som dos cascos no desfile de cavaleiros pela cidade, a Cavalgada de São Gonçalo do Rio Abaixo ganhou, neste ano, um novo significado. O evento ofereceu, pela primeira vez, um espaço de reflexão e memória com a exposição “Caminhos: do Tropeirismo à Cavalgada”, que levou cerca de 20 mil pessoas a uma verdadeira viagem pelas origens culturais da região.
Instalada como um ponto de parada simbólico dentro do parque de exposições, a mostra propôs uma imersão sensível na história do tropeirismo. A atividade moldou não apenas a economia, mas também os modos de vida e as relações sociais em Minas Gerais. Ao percorrer a exposição, o visitante era convidado a caminhar por trilhas que remontam ao período colonial, quando os tropeiros abriram caminhos, conectaram territórios e ajudaram a formar cidades e identidades.
Organizada em cinco seções, a mostra revelou desde o papel estratégico dos tropeiros na circulação de mercadorias e culturas até o cotidiano das comitivas. Elementos simbólicos como o muar e a égua madrinha surgiam como guias dessa travessia, evocando valores como liderança, coragem e espírito coletivo, marcas que permanecem vivas no imaginário mineiro.
Experiência imersiva

De acordo com o coordenador de patrimônio de São Gonçalo do Rio Abaixo, o historiador Danilo Souza Ferreira, a exposição foi pensada como uma forma de materializar essa história por meio de uma experiência imersiva. “A ideia é apresentar o caminhar dos tropeiros que construíram os caminhos em Minas e na nossa região, mostrando como essas rotas deram origem a cidades e vilas e, ao longo do tempo, se transformaram em cultura, como vemos hoje na cavalgada”, explica.
A proposta da exposição foi além do resgate histórico. Segundo Danilo, trata-se também de uma estratégia de salvaguarda do patrimônio cultural. “Estamos trabalhando com a expografia como ferramenta de preservação e democratização do acesso à história. É uma forma de aproximar a população do seu patrimônio, permitindo que ela vivencie e compreenda essa trajetória de maneira mais profunda”, destaca.

Ao relacionar o passado com o presente, a mostra evidencia a Cavalgada de São Gonçalo, realizada desde 1986, como herdeira direta dessa tradição. Hoje, o evento reúne comunidades em torno da cultura equestre, da música e da celebração popular, reafirmando laços que atravessam gerações. Nesse contexto, o Parque de Exposições Edirlei Márcio Moreira Lacerda surge como território de encontro, onde a memória encontra abrigo e se reinventa.
Preservação do patrimônio
Para o prefeito Raimundo Nonato de Barcelos, o Nozinho (PDT), a iniciativa reforça o compromisso com a preservação das raízes culturais. Segundo ele, resgatar o tropeirismo é fortalecer a identidade de um povo que reconhece, na cavalgada, um elo entre passado e presente.
A secretária de Cultura, Cecília Fonseca, destaca a exposição como instrumento de educação patrimonial e valorização da memória. A proposta, segundo ela, é conectar passado e presente, ampliando o acesso à informação e incentivando o reconhecimento da riqueza cultural local.
Para Danilo Souza, além do espaço expositivo, “Caminhos: do Tropeirismo à Cavalgada” se consolida como um gesto de preservação e futuro. Integrada às políticas culturais do município, a iniciativa aponta para um caminho em que tradição e contemporaneidade seguem lado a lado. Dessa forma, na travessia entre o ontem e o hoje, São Gonçalo do Rio Abaixo reafirma que sua história não está apenas nos registros, mas nos caminhos que continuam sendo percorridos, seguem vivos na memória, na cultura e na identidade de seu povo.





