A Literatura ganhou novos caminhos para chegar às crianças da Escola Municipal de Tempo Integral de Vargem Alegre. Na última sexta-feira (7), a instituição deu início ao projeto “Comunidade de Leitores: Literatura, Oralidade e Danças Interraciais”, iniciativa que será desenvolvida durante todo o ano letivo. A proposta vai além do incentivo à leitura. O projeto busca aproximar os estudantes dos livros e das histórias, ao mesmo tempo em que promove o reconhecimento da diversidade cultural e a educação para as relações étnico-raciais na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I.
Para marcar a abertura, a escola recebeu um grupo quilombola de Itabira. O encontro proporcionou aos alunos contato com narrativas, experiências e elementos da cultura afro-brasileira. Entre as atividades, uma oficina de confecção de bonecas Abayomi despertou a curiosidade das crianças. Tradicionalmente associada à ancestralidade, ao afeto e à resistência da cultura afro-brasileira, a boneca foi utilizada como elemento de aprendizagem e expressão.
Leitura para além dos livros
Idealizado, entre outras pessoas, pela diretora Jaira Heringer, o projeto nasceu da proposta de tornar a leitura uma experiência mais próxima da realidade dos estudantes. A ideia é formar uma verdadeira comunidade de leitores, envolvendo não apenas os alunos, mas também famílias e toda a comunidade escolar. Ao longo do ano, literatura, oralidade, música, dança e expressão corporal serão trabalhadas de maneira integrada.
O cronograma prevê contação de histórias, rodas de leitura, poesias, cantigas, percussão corporal e danças afro-brasileiras, africanas e indígenas. A seleção literária também amplia o repertório dos estudantes, com obras de autores negros e indígenas, como Kiusam de Oliveira, Emicida, Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã e Eliane Potiguara. A proposta pretende contribuir para a formação de leitores críticos e conscientes, além de estimular o respeito às diferenças e a valorização das identidades culturais.
Educação e diversidade
As atividades seguem as orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e dialogam com as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que estabelecem a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas. Durante o ano, os estudantes também participarão de oficinas, apresentações culturais e produções artísticas. O encerramento do projeto contará com uma programação especial, reunindo apresentações de dança, exposição dos trabalhos desenvolvidos pelas crianças e rodas de leitura com a participação das famílias. Além de estimular o hábito de ler, conforme a adinsitração, a iniciativa aposta na Literatura e na Cultura como ferramentas para ampliar horizontes. Além disso, reconhecer diferentes histórias e construir, desde os primeiros anos escolares, uma convivência baseada no respeito e na valorização da diversidade.



