Quinta-feira 05 de Novembro de 2026

Fé e tradição na Festa de Nossa Senhora Aparecida e São Geraldo, no Laranjeiras

Há tradições que permanecem porque fazem parte da vida das pessoas, da comunidade, há décadas. Não estão apenas nos calendários das festas religiosas, mas nas lembranças de família, nas orações, nas bandeiras que percorrem as ruas, nos sons dos tambores e na disposição de uma comunidade em manter viva uma história que recebeu de seus antepassados. É nesse sentido que a comunidade São João Batista, no bairro Laranjeiras, celebra a Festa de Nossa Senhora Aparecida e São Geraldo.

Realizada de 2 a 11 de outubro, a festividade da Paróquia São Luís Maria de Montfort reúne fé e tradição em uma programação que inclui novena, procissões, levantamento dos mastros, participação das guardas de Congado, Missa Conga, almoço comunitário e a coroação dos novos reis festeiros. Mais do que uma sequência de celebrações, a festa representa um momento de encontro da comunidade e de renovação de uma tradição religiosa e cultural que atravessa gerações.

O tema deste ano — “Com Nossa Senhora Aparecida e São Geraldo, caminhemos para a comunidade do amor fraterno” — traduz justamente esse espírito de união. A devoção aos santos se manifesta de diferentes formas, mas encontra nas ruas, nas casas, na igreja e na sede dos congados um espaço coletivo de oração, convivência e partilha.

A programação teve início no dia 2, com a chegada do Congado Nossa Senhora de Santana à residência dos reis festeiros, Edna Santos Feliciano de Freitas e Carlos Alexandre de Freitas. De lá, os participantes seguiram em procissão, levando as bandeiras de Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Santana e São Geraldo até a Igreja São João Batista, onde foi celebrada a Palavra. Depois, as bandeiras foram levadas para a sede dos congados, na rua Pontal, onde ocorreu o levantamento dos mastros.

Entre os dias 3 e 9, a novena prossegue diariamente, sempre às 19h, em diferentes espaços da comunidade, incluindo casas de enfermos e o Lar São José. A escolha desses lugares também revela uma característica importante da celebração: a fé não permanece restrita ao interior da igreja. Ela visita as casas, encontra os enfermos, aproxima vizinhos e transforma a própria comunidade em espaço de oração.

No dia 10, véspera da festa, a novena e a oração do Ofício de Nossa Senhora serão realizadas na sede dos congados, com a participação da comunidade e das guardas.

O domingo, 11 de outubro, será dedicado à grande celebração. Às 7h30, as guardas chegam à Igreja São João Batista, onde será servido o café. Depois, seguem para a sede dos congados para o encontro com a guarda festeira de Nossa Senhora de Santana e os reis festeiros.

Às 8h30, começa a procissão com os andores de São Geraldo, Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Santana. O cortejo percorre ruas do bairro até a Igreja São João Batista, onde, às 10h, será celebrada a Missa Conga.

A celebração é um dos momentos mais significativos da festa justamente por aproximar duas dimensões que caminham juntas na história da comunidade: a fé e a tradição cultural. No Congado, a devoção se expressa também pela música, pelos cortejos, pelas bandeiras, pelos encontros entre guardas e pela participação de homens e mulheres que ajudam a preservar uma manifestação transmitida entre gerações.

Depois da Missa Conga, a programação continua com almoço, às 12h, na sede dos congados. Às 14h30, serão realizadas as apresentações e os agradecimentos às guardas visitantes. Às 15h30, a coroação dos novos reis festeiros para 2027 marcará o encerramento da festividade.

A passagem dos festeiros de um ano para o outro simboliza também a continuidade. Quem recebe a responsabilidade de conduzir a festa assume, de certa maneira, o compromisso de preservar uma tradição que não pertence apenas a uma geração. Ela é construída por quem veio antes, vivenciada por quem está presente e transmitida a quem ainda virá.

Por isso, a Festa de Nossa Senhora Aparecida e São Geraldo ultrapassa o sentido de uma programação religiosa. É uma manifestação de fé, memória, identidade e pertencimento, em que a comunidade se reconhece em seus símbolos, em suas devoções e em suas formas próprias de celebrar.

Em um tempo marcado por mudanças rápidas e pela substituição de muitos hábitos comunitários, manter uma tradição viva exige participação, dedicação e, sobretudo, disposição para transmiti-la. No Laranjeiras, a fé se transforma em encontro e a tradição continua encontrando novas gerações dispostas a carregá-la adiante.

A festividade de 2026 tem como reis festeiros Edna Santos Feliciano de Freitas e Carlos Alexandre de Freitas. A organização é presidida por Natália Rodrigues Nonato, tendo Débora Aparecida Nonato dos Santos como vice-presidente.

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