Música, literatura e artes plásticas marcam início das comemorações do Mês da Consciência Negra no TCE Cultural
A força da ancestralidade ecoou no auditório Vivaldi Moreira, em Belo Horizonte, na noite de terça-feira (4). O Coral Afro Vozes de Caxambu, de Rio Piracicaba (MG), foi um dos grandes destaques da abertura das comemorações do Mês da Consciência Negra no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG). “A negritude e a África estão nos nossos corações e nas nossas almas. Essa é a primeira vez que celebramos essa data aqui, no TCE”, destacou o presidente do TCE, conselheiro Durval Ângelo.
Formado por crianças e jovens do Quilombo de Caxambu, de Rio Piracicaba, o grupo encantou o público com cantos tradicionais da cultura afro-brasileira e congadeira. A apresentação é parte de um projeto pedagógico da Escola Municipal Quilombola Bernardo Ferreira Guimarães que busca valorizar a identidade negra e preservar as raízes culturais da comunidade. “O Coral Afro Vozes de Caxambu é a expressão viva da nossa história e resistência”, destacou o presidente do Tribunal, Durval Ângelo, emocionado com a performance.

Sempre um Papo – TCE Cultural com Conceição Evaristo
O evento marcou a terceira edição do projeto “Sempre um Papo – TCE Cultural”, que recebeu a escritora e professora Conceição Evaristo, uma das vozes mais potentes da literatura afro-brasileira contemporânea. Em diálogo com a também educadora Luana Tolentino, Evaristo falou sobre educação, afeto e o papel transformador da escola, relembrando sua trajetória desde a infância na favela Pendura Saia, em Belo Horizonte, até a docência no Rio de Janeiro. “O que eu mais gosto de fazer na vida é ensinar”, afirmou.
A autora refletiu sobre as desigualdades no acesso à educação e criticou o discurso da meritocracia: “Ter oportunidades ainda não é realidade da imensa maioria da população pobre”. A ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, prima da escritora, também esteve presente na plateia. Evaristo falou, ainda, sobre a contribuição que a escola, como espaço de afeto, pode exercer na educação e formação das crianças, “apesar de não ser a realidade das escolas periféricas no país”, disse. Ela reforçou a importância da valorização do professor e da visão de que a sala de aula é uma extensão da sociedade em que vivemos.

A escritora perpassou por suas obras e personagens e ressaltou a importância da revolução nas vidas de mulheres pobres e pretas que conseguiram se formar em um curso superior. “Porém, não podemos cair no falso discurso da meritocracia. Ter oportunidades e acessos ainda não é a realidade da imensa maioria da população pobre”, ponderou. A ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo, prima da escritora, prestigiou o evento.
Exposição
A “noite encantada no TCE”, como destacou o presidente Durval Ângelo, começou com a abertura da Exposição Faces, do artista plástico Agnaldo Canuto. A mostra, no Salão Mestre de Piranga, no hall de entrada do TCE, conta com esculturas em madeira que representam o olhar, a sensibilidade e a essência do artista, morador do Morro das Pedras, comunidade vizinha do Tribunal.
Aos 60 anos, essa é a primeira exposição do artista. “As esculturas surgiram na vida de Canuto misturando com seu trabalho como pedreiro”, disse Durval, ao anunciar a exposição. “A arte nasce do chão, da dor, do barro, do pedaço de madeira, da alma. É isso que eu vejo nessa exposição: resistência do povo negro, de 500 anos de dominação e exploração. É o filho de dona Maria do Carmo finalmente fazendo sucesso”, enalteceu Durval. Canuto, que estava acompanhado da sua família, agradeceu a oportunidade. “Fico feliz por poder mostrar um pouco do meu trabalho. A arte faz crescer a autoestima de todo o nosso povo”.
O coordenador do TCE Cultural, João Miguel, destacou a iniciativa pioneira. “Esse é apenas o início de um mês de celebrações, com muita arte e cultura. Mas também é um momento de reflexão. Ao longo de novembro, o TCEMG realizará diversas atividades para marcar o Mês da Consciência Negra”, anunciou o coordenador.





