Gaston Barbanson: o engenheiro que abriu caminho para a Usina de Monlevade

Sem ele, talvez a siderúrgica jamais saísse do papel

Por Erivelton Braz

No dia 31 de agosto de 2025, a Usina de Monlevade da ArcelorMittal completa 90 anos. Ao lado da Mina do Andrade, também fundada em 1935, ambas têm grande relevância social e econômica, principalmente, para as cidades de Bela Vista de Minas e João Monlevade, onde estão instaladas respectivamente. Por traz dos grandes empreendimentos, há um nome: Gaston Barbason.
Se hoje celebramos as nove décadas da Usina e da Mina, isso é graças a esse engenheiro belga fundamental. Como um dos fundadores e primeiro presidente da ARBED, um dos maiores grupos siderúrgicos da Europa no começo do século XX, foi Barbanson quem, ainda nos anos 1920, vislumbrou no Brasil, especialmente em Minas Gerais, um território fértil para a expansão da indústria do aço.
Dotado de visão estratégica e grande capacidade de articulação, ele foi o responsável por convencer os acionistas da ARBED a investir em terras no interior mineiro. O engenheiro enxergou nas reservas minerais da região do Médio Piracicaba, especialmente a Mina do Abrande, o potencial para erguer uma nova usina siderúrgica. A ideia era que, junto à Usina de Sabará, se forma-se um grande polo de produção de aço fora da Europa.
Sua influência foi decisiva. Sem o poder de persuasão e o prestígio técnico de Barbanson, dificilmente os acionistas teriam arriscado capital em um empreendimento tão distante e desafiador. Ele apresentou a eles um projeto arrojado: adquirir as terras onde cerca de 100 anos antes, outro europeu, o francês Jean Antoine Félix Dissandes de Monlevade, iniciou a construção de uma das mais importantes Fábricas de Ferro do século XIX. Com a mina, próxima, a estratégia era preparar o terreno para que, anos mais tarde, fosse possível levantar uma grande usina siderúrgica.

Personagens fundamentais

Portanto, se Barbarson não tivesse escolhido este local para os investimentos dos belgas, aliados ao desejo do Rei da Bélgica que visitou Minas e quis investir no estado, talvez teríamos apenas uma fazenda em ruínas e a cidade não teria se desenvolvido. Tanto que o primeiro nome da então criada siderúrgica nas terras do velho Monlevade foi “Usina Barbanson”.
O ex-presidente da Belgo Mineira, Antônio Polanczyk, sempre ressaltou a importância do engenheiro belga como responsável pela implantação da Usina e, consequentemente, na edificação da cidade. “À época, foram transferidas à Louis Ensch, por solicitação de Barbanson, três parcelas, cada uma delas superior ao orçamento anual do Estado de Minas Gerais, para as obras nas terras adquiridas de Jean Monlevade”, afirma em seus textos sobre a construção da Belgo Mineira.
Assim, se o nome de Louis Ensch, engenheiro luxemburguês, ficou consagrado como o responsável por erguer fisicamente a Usina de Monlevade a partir da década de 1930, é preciso reconhecer que esse feito só foi possível porque Gaston Barbanson lançou as bases muito antes. Foi ele quem plantou a semente. Sem sua visão de futuro e sua habilidade em transformar um sonho em um projeto viável aos olhos da ARBED, a nova Usina de Monlevade jamais teria se tornado o grande polo siderúrgico que moldou a identidade e a história da cidade. Celebrar os 90 anos da Usina de Monlevade é também trazer à tona, a memória de Barbanson junto a outros personagens fundamentais.
Afinal, a Usina é fruto de um processo coletivo, que começou com Jean Monlevade, precursor da nossa história. Depois, com as decisões e visão ousada de Gaston Barbanson, que comprou as terras de Monlevade e a Mina do Andrade. Por fim, Louis Ensch, quem ergueu a Usina e, com ela, toda uma cidade. Sem esses três, Monlevade jamais se tornaria símbolo de modernidade industrial.
Hoje, ao revisitar a trajetória da Usina de Monlevade em celebração às suas nove décadas, reafirma-se a importância de valorizar os personagens que ajudaram a escrever a história de João Monlevade. A cidade, que nasceu do aço, deve muito à santíssima trindade da siderurgia nacional: Jean Monlevade, Gaston Barbabnson e Louis Ensch.

(*)Erivelton Braz é Mestre em Letras,Teoria Literária e Crítica da Cultura, professor de Literatura, jornalista e escritor. Fundador da Rotha Assessoria e editor do Rotha Cultural

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