Sexta-feira 06 de Março de 2026

No mundo dos Colecionadores & Action Figures com Jonathan Gandra

ENTREVISTA — Jonathan Gandra, colecionador e editor de uma revista dedicada ao mundo do colecionismo voltado para superheróis e personagens, fala como transformou o interesse pela cultura pop em projeto cultural.

O universo do colecionismo, muitas vezes visto apenas como hobby, pode revelar histórias profundas de memória afetiva, identidade e criatividade. Em João Monlevade, Jonathan Gandra, de 37 anos, conta como tudo começou. Uma busca pessoal por peças que marcaram sua infância se transformou não apenas em uma coleção diversificada, mas também na criação de uma revista digital, que já tem 9 edições, dedicadas ao tema. O projeto já reúne fãs do Brasil e do mundo.

Na entrevista a seguir, Jonathan fala sobre suas primeiras influências, o contato com colecionadores de diversos países, as peças mais raras que guarda e os bastidores da revista que conecta fãs. Confira:

Como surgiu o seu interesse pelo colecionismo?

Sempre gostei de assistir filmes e desenhos. Quando criança, queria ter brinquedos dos personagens que admirava, mas a minha realidade na época não permitia ter muitos deles. Quando cresci, conheci de fato o universo do colecionismo e percebi que seria especial reunir algumas estátuas e figuras articuladas dos personagens que marcaram minha vida. Cada peça traz uma forte sensação de nostalgia.

Como você descreve esse hobby?

Colecionar é, de certa forma, colecionar momentos. Cada item tem seu significado e seu valor sentimental. Muitas pessoas são colecionadoras sem perceber: podem colecionar copos, pratos, cartões, jornais, revistas, relógios, figurinhas, tênis, camisas de time… é um universo enorme. Eu decidi focar em estátuas e articulados, embora tenha outros itens. Hoje, minha filha de 10 anos também segue o hobby e já tem sua própria coleção, com personagens que ela gosta.

Você mantém contato com outros colecionadores do Brasil e do mundo?

Sim. Conheço muitos colecionadores de vários países — Japão, México, Estados Unidos, Portugal, Alemanha, entre outros. No Brasil, fiz amizades com gente de todos os cantos, pessoas com quem converso quase todos os dias. É realmente um mercado muito grande.

E qual foi a sua primeira peça? E a última? Há alguma mais rara ou especial?

Minha primeira peça foi um Hulk articulado e uma estátua do Gohan, de Dragon Ball, comprados em 2010 em uma plataforma chinesa. Na época, não conhecia outros colecionadores, e minha ideia era apenas usá-las como enfeite na mesa do computador.A última peça, até o momento, foi uma Mulher-Maravilha articulada, que recebi como patrocínio em troca de divulgação de uma loja.Quanto às mais raras, tenho algumas. Mas destaco um mangá número 1 de Dragon Ballem versão japonesa, de tiragem baixa, e uma sequência de jornais japoneses publicados após a morte do autor Akira Toriyama, contando sua trajetória. São itens que considero muito especiais. Hoje, tenho cerca de 500 peças.

Fale como surgiu a ideia da revista? Ela é virtual ou também impressa?

Quando conheci o mundo do colecionismo, criei grupos de WhatsApp para troca de ideias e para facilitar compras e vendas entre colecionadores. Eu queria uma forma de manter as pessoas engajadas no grupo e tive a ideia de criar pequenos artigos sobre os participantes — como entrevistas.A primeira edição me mostrou que aquilo podia se tornar algo maior. Convidei alguns membros para ajudar a desenvolver o projeto e, assim, lançamos a primeira edição oficial, que foi muito bem recebida. Com o tempo, fomos aperfeiçoando o conteúdo: antes eram apenas entrevistas e a história de algum personagem; hoje há dicas, passatempos, divulgações e muito mais.Atualmente, somos um trio responsável pelas edições. Até pessoas famosas já participaram, revelando que também são colecionadoras, algo que muita gente não imagina.

A revista também integra um projeto social que ajuda a ONG Interferência. Ela está disponível em um site de venda de colecionáveis, e 100% do valor arrecadado com sua aquisição é convertido em doações.Hoje, ela existe somente em formato digital, pois o custo de impressão ainda é muito alto.

Onde os leitores podem encontrá-la?

A revista está disponível gratuitamente, em versão digital, no link da bio do meu perfil no Instagram: @gandra.collection.

Quais são as principais pautas abordadas na revista?

Divido a revista em várias seções: entrevistas com colecionadores e suas histórias; dicas gerais, desde como começar até como cuidar e limpar as peças; curiosidades; passatempos; e outras temáticas relacionadas ao universo geek e do colecionismo.Que dica você daria para quem quer começar uma coleção?A primeira dica é: nunca gaste mais do que pode naquele momento. Não é um hobby barato, mas existe uma grande variedade de itens e preços. Já vi muita gente desistir por falta de controle financeiro.Comece por algo que te traga lembranças e nostalgia, independentemente do tipo de coleção que escolher. E tenha foco para que o hobby não se torne um vício…

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