Sexta-feira 06 de Março de 2026

Um século de memórias: Dona Rita e a história viva de João Monlevade

João Monlevade celebrou, recentemente, uma daquelas histórias que não cabem apenas nos livros, pois vivem na memória afetiva da cidade. A Câmara Municipal homenageou Rita da Motta Moreira Bicalho com o Diploma Centenários, pelos 100 anos completados em 9 de julho de 2025. A iniciativa partiu do vereador Thiago Titó (MDB).

Em sua fala, Dona Rita agradeceu, com serenidade e emoção, a Deus pela dádiva da longevidade e à Câmara pelo reconhecimento. Destacou o carinho recebido e a indicação do vereador, ressaltando o sentimento de pertencimento a João Monlevade, cidade que ela escolheu para viver, criar a numerosa família.

Falando em nome dos familiares, o neto Gabriel Bicalho lembrou que a trajetória da avó se confunde com a própria história do município. Mineira de origem, professora por vocação, empreendedora por necessidade e pioneira por visão, Dona Rita ajudou a construir João Monlevade ao lado do esposo, José Vicente Soares Bicalho. Criou 11 filhos, acolheu gerações de netos e bisnetos, mantém a fé como eixo da vida e, aos 100 anos, segue lúcida, ativa e inspiradora. Para Gabriel, a homenagem simboliza mais do que longevidade: celebra um legado de amor, sabedoria e serviço ao próximo.

O momento ganhou ainda mais significado com a presença do irmão de Dona Rita, Raimundo da Motta Moreira, de 96 anos, que veio de Santa Bárbara para prestigiar a irmã, comprovando a longevidade, saúde e lucidez da família.

O vereador Thiago Titó destacou o orgulho de ser o autor da homenagem e lembrou que o Diploma Centenários teve origem em projeto do ex-vereador Gentil Bicalho, filho da homenageada. Em sua fala, ressaltou a contribuição de Dona Rita e de sua família para o desenvolvimento do município, sua força diante da viuvez precoce, a dedicação incondicional à família e a religiosidade que sempre guiou seus passos.

O prefeito Laércio Ribeiro (PT) e a vice-prefeita Dorinha Machado (MDB) também parabenizaram Dona Rita, reconhecendo nela um símbolo de resistência, fé e construção coletiva. Já o presidente da Câmara, Fernando Linhares (Podemos), afirmou que o centenário representa um legado que atravessa gerações, feito de sabedoria, generosidade e inspiração para toda a cidade.

Uma vida que atravessa o tempo

Nascida em 9 de julho de 1925, na Fazenda Cascata, em São Gonçalo do Rio Abaixo, à época então distrito de Santa Bárbara, Rita da Motta Moreira Bicalho carrega em sua genealogia nomes que marcam a história de Minas Gerais e do Brasil. Entre esses, o ex-presidente Afonso Pena, o Visconde de Caeté e Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, o Cardeal Motta, irmão de sua mãe, Narciza. O religioso atuou ativamente na construção da nova Basílica Nacional de Aparecida e é fundador da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Dona Rita Cresceu em ambiente rural, iniciou os estudos na própria fazenda e os concluiu no Colégio Nossa Senhora das Dores, em Itabira. Ainda jovem, tornou-se professora, contribuindo para a educação local. Casou-se em 1949 com José Vicente Soares Bicalho e, na década de 1960, mudou-se para João Monlevade. Juntos, iniciaram a construção do Hotel Minas, um dos primeiros grandes edifícios da cidade, símbolo de um tempo de crescimento e esperança. Viúva aos 49 anos, Dona Rita seguiu firme, criando 11 filhos, além de 34 netos e 57 bisnetos, muitos deles ainda vivendo e trabalhando em Monlevade.

Ativa até hoje, cuida da casa, do jardim e da horta, dedica-se ao bordado e ao crochê, faz caminhadas diárias, pilates e mantém uma fé católica profundamente vivida. Ao longo dos anos, foi ministra da Sagrada Comunhão, catequista, integrante do Apostolado da Oração e liderança de uma tradicional peregrinação ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, reunindo a grande família em torno da fé.

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