Segunda-feira 08 de Junho de 2026

Histórias de Monlevade e Nova Era ganham vida no Curta Vitória a Minas IV

Entre trilhos, paisagens e memórias que atravessam gerações, o projeto Curta Vitória a Minas IV inicia sua nova fase de gravações reafirmando um propósito que vai além do cinema: transformar vivências locais em patrimônio cultural vivo. Ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas, histórias que nasceram no cotidiano das cidades agora ganham forma, som e imagem e, nesta edição, João Monlevade e Nova Era ocupam um lugar de destaque nesse percurso sensível e identitário.

Realizado pelo Instituto Marlin Azul, com patrocínio da Vale, o projeto se consolida como um dos mais importantes movimentos de valorização das narrativas populares ao longo da ferrovia, uma linha que não transporta apenas minério, mas também as riquezas de histórias, afetos e pertencimento.

Nova Era: a força de recomeçar

Em Nova Era, cidade que já construiu uma relação contínua com o projeto ao longo das edições, o curta “Eu Sou é Eu Mesma” abre o ciclo de filmagens. A obra, assinada pela jornalista Poliana Araújo Guerra, mergulha em uma narrativa de superação que parte de um episódio marcante: um grave acidente automobilístico que redefiniu caminhos, mas não interrompeu sonhos da autora.

Ao assumir também um papel diante das câmeras, Poliana traduz o espírito do projeto. Os moradores que deixam de ser apenas fonte para se tornarem protagonistas de suas próprias narrativas.

João Monlevade: Homenagem a Pedro Alcântara

Já em João Monlevade, o cinema chega para iluminar mais uma história local. O curta “Pedro Além do Alcântara”, da produtora cultural Miriam Mercedes Firmo, integra a seleção desta edição e será gravado entre os dias 6 e 9 de maio. A obra é uma justa e merecida homenagem a Pedro Alcântara, regente do Família Alcântara Coral, recontando sua trajetória. Ele faleceu em 2020, vítima da COVID-19.

Cinema feito com a comunidade

Um dos aspectos mais potentes do Curta Vitória a Minas é sua forma de produção: equipes técnicas profissionais se unem a moradores das cidades, criando uma experiência coletiva de realização. Assim, mais do que registrar histórias, o projeto forma olhares, capacita talentos e fortalece vínculos locais com o fazer cultural.

Além de Monlevade e Nova Era, outras cidades também integram o circuito, ampliando o mosaico de narrativas ao longo da ferrovia e reafirmando a diversidade cultural do território.

Quando o cinema volta para casa

Após a finalização, os curtas serão exibidos em sessões gratuitas nas próprias comunidades onde nasceram. Praças e ruas se transformam em salas de cinema a céu aberto. Isso acaba sendo um gesto simbólico e potente de devolução. Dessa forma, as histórias retornam ao seu lugar de origem, agora ressignificadas pela linguagem audiovisual.

Em tempos de fluxos acelerados e narrativas globais, iniciativas como o Curta Vitória a Minas lembram que o futuro da cultura também passa pela escuta atenta do território. E, nesse caminho, cidades como João Monlevade e Nova Era seguem mostrando que suas histórias continuam vivas e prontas para serem contadas, vistas e sentidas.

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