Festa criada pela comunidade reúne música, dança, gastronomia e homenageia personagens que mantêm viva a cultura popular
Com informações do jornalista Sebastião D’Ávila Silva
Quando as bandeirinhas coloridas tomam conta do céu, o cheiro de milho e canjica se mistura ao som do forró e das quadrilhas, Bela Vista de Minas reafirma um dos maiores patrimônios de sua identidade: a força das festas populares. Foi esse espírito que, mais uma vez, marcou o Arraiá do Balaio, realizado no Espaço Bella Vila, no último sábado (25). A edição 2026 reuniu centenas de pessoas em uma celebração que ultrapassa o entretenimento para se consolidar como um importante movimento de valorização da cultura local.
Em homenagem a São Pedro, a festa reuniu diferentes manifestações da tradição junina. A programação contou com a apresentação da Corporação Musical São Sebastião, dos shows de Madrilane Carvalho, representante da música local, e de Japão do Forró, além do espetáculo do grupo itabirano Perecolândia, que encantou o público com figurinos, coreografias e uma quadrilha marcada pela interação, bom humor e animação. Tanto que, em um dos momentos mais marcantes da noite, os dançarinos deixaram o palco para convidar o público a participar da dança, transformando espectadores em protagonistas da festa.

As tradicionais barracas de comidas e bebidas típicas completaram o cenário, reforçando o caráter comunitário do evento, onde famílias, amigos e visitantes compartilharam sabores, memórias e encontros. Com emoção, houve homenagem ao mestre Benevenuto Ramos Ribeiro, o Bené, referência na organização de quadrilhas e festas juninas em Bela Vista. Seu trabalho ao longo de décadas ajudou a formar gerações de dançarinos e a preservar uma das manifestações mais importantes da cultura popular da cidade. “Assim que montei o Bloco do Balaio, no Carnaval, percebemos que o restante do ano ficávamos sem um evento que reunisse o grupo. Levei a ideia a sério e nasceu o Arraiá do Balaio”, recorda Afonso. Ainda segundo ele, a primeira edição teve um propósito especial. Toda a renda arrecadada foi destinada à Corporação Musical São Sebastião, contribuindo para a compra de um sousafone, instrumento fundamental para a banda. “Um dos nossos músicos foi até São Roque, em São Paulo, buscar o instrumento. A partir daí, nosso evento tomou uma proporção cada vez maior. Graças a Deus, a cada ano ele cresce mais”, destaca.
Uma ideia que virou tradição
O Arraiá do Balaio nasceu em 2018, fruto da vontade de manter viva uma tradição que já existia entre moradores da comunidade. Segundo o idealizador do evento, Afonso Balaieiro, tudo começou com uma pequena festa junina realizada em sua rua, organizada com o apoio de Benevenuto Ramos Ribeiro. Na época, o encontro era conhecido como a Festa Junina dos Balaieiros. A criação do Bloco do Balaio, durante o Carnaval, despertou uma nova reflexão: era preciso manter o grupo ativo também durante o restante do ano. A inspiração veio das amigas Gleice da Van e Flávia, conhecida como Flávia de Heber Zebrinha, que sugeriram a criação de um arraial.

Cultura construída pela comunidade
O Arraiá do Balaio demonstra como iniciativas comunitárias podem fortalecer o patrimônio cultural de uma cidade. Organizado com o apoio da Prefeitura de Bela Vista de Minas e da participação voluntária de dezenas de pessoas, o evento mantém vivas tradições que atravessam gerações e cria novas memórias para crianças, jovens e adultos. Em tempos em que muitas manifestações populares enfrentam desafios para permanecerem ativas, experiências como essa mostram que a cultura continua sendo construída pelas pessoas, a partir do pertencimento, da participação coletiva e do desejo de celebrar as próprias raízes.
O sucesso da edição deste ano reforça que o Arraiá do Balaio já conquistou lugar de destaque no calendário cultural de Bela Vista de Minas. A festa já se consolida como uma grande expressão do patrimônio imaterial do Médio Piracicaba, onde música, dança, solidariedade e memória caminham de mãos dadas.


