Segunda-feira 08 de Junho de 2026

“Pedro Além do Alcântara” está ganhando vida

Por Miriam Mercedes Firmo

Começo dizendo sobre essa experiência incrível que estou vivendo, e que só foi possível porque minha filha Júlia, me inscreveu em um concurso através do qual você conta sua história e ela se transforma em filme. Um projeto do Instituto Marlin Azul (IMA), chamado Curta Vitória Minas, com apoio da Vale.

Após a morte do meu tio Pedrinho, Pedro Alcântara, em 2020, vítima da Covid, passei a sonhar em fazer algo em sua homenagem. Como sobrinha dele, sempre carreguei comigo a admiração por sua trajetória, sua sensibilidade e sua ligação com a música. Eu não sabia exatamente como transformar esse sentimento em algo concreto, até surgir a oportunidade de participar desse projeto, que para mim representava a chance de eternizar, através do cinema, um trecho da história do tio Pedrinho e da família Alcântara.

Após ser selecionada e ficar entre as 7 finalistas do projeto, passei 15 dias em Vitória vivendo uma experiência transformadora, aprendendo sobre cinema, roteiro, direção e todo o processo de construção de um documentário. Foi um período de muito aprendizado, emoção e descobertas. Lá também conheci Poli Guerra, finalista de Nova Era, com quem compartilhei essa vivência tão especial e intensa que o cinema nos proporcionou.

Pedro era um menino autodidata, vindo do Quilombo de Caxambu, que chegou a João Monlevade apaixonado pela música, trazido pelo meu pai, Joaquim Firmo, irmão de dele, para trabalhar como vigia na Avenida Aeroporto. Foi ali que ouviu um som que o encantou profundamente. Um canto diferente, que ele ainda não sabia identificar, mas que vinha do prédio da Associação Regional de Promoção e Ação Social (ARPAS), onde também funcionava a Escola Santa Marta.

A curiosidade e o amor pela música fizeram com que Pedro se aproximasse daquele lugar. Mais tarde, passou a estudar música no ARPAS com Dona Maria José, uma das irmãs de caridade holandesas que dava aulas no local e que teve grande importância em sua formação musical.

Mas sua relação com a música começou ainda antes. Aos 12 anos de idade, Pedro já havia formado um coral com seus familiares, como forma de unir a família através da música. Mais tarde, esse grupo passou a se chamar Família Alcântara Coral, demonstrando desde muito cedo sua sensibilidade, liderança e paixão pela arte.

E assim começou a caminhada de um homem simples, talentoso e profundamente humano, que deixou marcas não apenas na música, mas também na vida de todos que conviveram com ele.

Contar um trecho dessa história tem sido uma experiência emocionante e transformadora para mim. Mais do que fazer um documentário, sinto que estou ajudando a preservar memórias, afetos e a essência de uma família que carrega histórias que merecem ser lembradas e eternizadas.


Foram dias intensos, cheios de emoção, dedicação, aprendizado e muitos momentos inesquecíveis. Cada cena gravada carrega não só imagens, mas também fé, cultura, memória e o amor de todos que fizeram parte desse projeto. Nos bastidores, tivemos risadas, correria, união e a certeza de que estamos construindo algo muito maior do que um filme: estamos eternizando uma história.

Que privilégio viver tudo isso ao lado de pessoas tão especiais. Gratidão a toda equipe, elenco, apoio e a cada pessoa que acreditou nesse sonho desde o início. “Pedro Além do Alcântara” está ganhando vida.

Miriam Mercedes Firmo Santos é monlevadense, produtora cultural e contemplada para produzir o filme “Perdro Além de Alcântara”, do Instituto Marlin Azul, através do projeto projeto Curta Vitória a Minas IV, que transforma histórias de pessoas em filmes.

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