Sexta-feira 31 de Julho de 2026

Quando o Clube da Esquina encontra a sala de aula: Educadores de Monlevade recebem formação antirracista

Arte, música e educação se unem em projeto que reúne cerca de 600 professores e propõe novas formas de pensar as relações étnico-raciais nas escolas

O legado do Clube da Esquina sempre ultrapassou os limites da música. Suas canções falam de encontros, identidade, liberdade e pertencimento. Agora, essa mesma força criativa inspira um projeto que pretende transformar também a educação. Nos dias 3 e 4 de agosto, João Monlevade recebe a formação multilinguagem e antirracista “Tudo que você podia ser”, promovida pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em parceria com a Associação Monlevadense de Afrodescendentes (AMAD) e com o apoio da Secretaria Municipal de Educação. A iniciativa integra a programação do Festival de Inverno da UFOP, que neste ano homenageia a obra de Lô Borges com o tema “O sol na cabeça”.

Capa do clássico album Clube da Esquina, que uniu a genialidade de Milton Nascimento e Lô Borges

A programação começa na segunda-feira (3), das 18h às 22h, no Centro Educacional de João Monlevade (CEJM), onde cerca de 600 professores da rede municipal participarão de uma formação voltada à Educação das Relações Étnico-Raciais. A proposta utiliza a música, a arte e a cultura como caminhos para discutir equidade racial e fortalecer práticas pedagógicas mais inclusivas.

No dia seguinte, 80 representantes das escolas municipais participarão de uma oficina de stencil, no campus do ICEA/UFOP. A atividade une reflexão e criação artística: os participantes produzirão ecobags personalizadas com grafismos e referências a importantes personalidades do movimento negro, utilizando a arte como ferramenta de memória, valorização da diversidade e justiça social.

Para a secretária municipal de Educação, Alda Fernandes, investir na formação continuada dos educadores é essencial para construir uma escola mais representativa. “Não existe educação antirracista sem professores preparados. Capacitar é oferecer ferramentas para transformar a sala de aula, combater o racismo e construir uma educação mais justa e plural.” A professora Karina Caetano, uma das organizadoras da iniciativa, explica que a escolha do Clube da Esquina não é apenas uma homenagem ao Festival de Inverno. “Esta oficina é um exercício educativo e de imaginação que utiliza o legado do Clube da Esquina para construir alianças antirracistas e fortalecer a escola enquanto espaço democrático.”

A formação será desenvolvida em diferentes etapas, combinando reflexão, diálogo e produção artística. Os participantes discutirão a contribuição dos saberes dos povos tradicionais para a prática pedagógica, assistirão ao curta-metragem Me Disseram que Sou Negra, da cineasta monlevadense Alexandra Mara, e debaterão questões relacionadas à identidade, ao racismo no ambiente escolar e à Educação das Relações Étnico-Raciais. A programação também inclui reflexões sobre o Estatuto Mineiro da Igualdade Racial e a construção de redes de solidariedade entre educadores, culminando na produção colaborativa de materiais pedagógicos que poderão ser utilizados em sala de aula.

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