Sexta-feira 31 de Julho de 2026

Projeto “Na Mochila” transforma estudantes de Monlevade e região em campeões internacionais de robótica

Mais do que medalhas, delegação da região leva ao Canadá um exemplo de educação, inovação e inclusão social

Há poucos anos, para muitos daqueles estudantes, viajar para outro estado já parecia um sonho distante. Em julho de 2026, mais de 40 crianças e adolescentes do Médio Piracicaba atravessaram continentes para representar o Brasil na FIRA RoboWorld Cup, um dos mais importantes campeonatos de robótica do mundo. Voltaram de Markham, na região metropolitana de Toronto, no Canadá, com troféus, certificados e uma certeza: a educação é capaz de mudar destinos.

Entre os dias 17 e 21 de julho, a delegação do projeto Na Mochila escreveu um dos capítulos mais importantes da história da educação tecnológica da região. Em meio a mais de mil competidores de diversos países, conquistou dois troféus de Super-Campeões e 18 certificados de premiação, resultado que colocou João Monlevade, Nova Era, São Domingos do Prata e Rio Piracicaba no mapa mundial da robótica educacional.

Mas a verdadeira conquista vai muito além dos pódios. Criado em 2020, o projeto Na Mochila nasceu como uma iniciativa social para democratizar o acesso à educação tecnológica. Hoje, reúne estudantes de escolas públicas e particulares em torno da metodologia STEAM — que integra ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática — formando jovens capazes de programar robôs, solucionar problemas complexos e trabalhar em equipe.

A diversidade é justamente um dos maiores patrimônios do projeto. A delegação que desembarcou no Canadá era formada por cerca de 70 pessoas, entre estudantes, professores e familiares, vindos de diferentes cidades e realidades sociais, unidos pelo mesmo propósito: aprender e representar a região.

Campeões do mundo

Os resultados impressionam.

Na categoria Missão Impossível U14, as equipes EmipBots, da Escola Municipal Governador Israel Pinheiro, e Cespbots, do Colégio Cesp, conquistaram o título mundial.

Na disputa U19, a hegemonia continuou. As equipes EmipBots e Robonique 1, da Fundação Monique Leclercq, de São Domingos do Prata, alcançaram o lugar mais alto do pódio. A Robonique 2 ficou com o vice-campeonato, enquanto a Mariabots, de João Monlevade, e outra equipe da Robonique garantiram o terceiro lugar.

Entre os menores, a equipe Esmeralda Tech, de Nova Era, conquistou o vice-campeonato mundial na categoria Kids. Já os Cyberanjos, da Escola Pedacinho do Céu, subiram duas vezes ao pódio, conquistando terceiros lugares no Desafio do Tapete e na Missão Impossível. Os Troféus de Super-Campeões coroaram a campanha. A Tractor Bots terminou como vice-campeã mundial, enquanto a VivaBots, na divisão universitária de carros autônomos, conquistou o terceiro lugar mundial.

A vitória da cooperação

Embora as medalhas simbolizem excelência técnica, quem acompanha o projeto sabe que o maior diferencial está na forma como ele é construído. No Canadá, alunos de diferentes escolas, municípios e redes de ensino treinaram juntos, compartilharam estratégias e comemoraram cada conquista como se fosse coletiva. “Estávamos com vários times, mas treinamos juntos. A vitória de um é a vitória de todos. Ver alunos de João Monlevade no pódio ao lado dos melhores do mundo é algo inacreditável”, resume o professor e CEO do projeto, Haillisson Ferreira. Justamente essa cultura colaborativa rompe barreiras que vão além da tecnologia. Ela aproxima estudantes de diferentes origens, fortalece amizades e demonstra que conhecimento também se constrói de forma coletiva.

Aprender o mundo

Para os estudantes, a viagem representou muito mais do que disputar uma competição internacional. Foi a oportunidade de conhecer outra cultura, praticar a língua inglesa, conviver com jovens de diversos países e compreender que o conhecimento não tem fronteiras. A estudante Marcela Roberta, de 13 anos, da Escola Municipal Governador Israel Pinheiro, define a experiência como inesquecível. “Essa viagem tem sido uma experiência muito legal, em que pude conhecer novas culturas e novos aprendizados. Quero agradecer à Prefeitura de João Monlevade por proporcionar uma oportunidade tão incrível.”

Na avaliação da secretária municipal de Educação, Alda Fernandes, os resultados confirmam que investir em educação tecnológica produz impactos que vão muito além da sala de aula. Segundo ela, além do desempenho nas competições, os estudantes desenvolvem autonomia, capacidade de comunicação, convivência em equipe, contato com outras culturas e confiança para enfrentar novos desafios.

Programando sonhos

Depois do sucesso na Coreia do Sul, em 2025, e do desempenho histórico no Canadá, o projeto já mira o próximo desafio. O Mundial de 2027 acontecerá na Malásia. Até lá, a rotina será de novos treinamentos, busca por parceiros e preparação de mais estudantes para viver experiências que poucos imaginariam possíveis há alguns anos. “Agora é fazer tudo novamente, buscar novas parcerias, treinar e motivar os alunos. Em 2027 estaremos na Malásia e nosso propósito é levar ainda mais crianças e programar os seus sonhos”, afirma Haillisson Ferreira. Talvez essa seja a maior missão do Na Mochila.

Artigos Relacionados

  • All Post
  • Agenda Cultural
  • Entrevistas
  • Notícias
  • Patrimônios

PUBLICAÇÕES / LIVROS

PUBLICIDADE

Edit Template

NewsLetter

Seja o primeiro a saber das notícias, inscreva-se em nossa NewsLetter

© Rotha Cultural – João Monlevade e Região