A escultura inédita “Contraplano”, de Lais Myrrha, está instalada em um dos pontos mais altos do InhotimFoto: Ícaro Moreno/Divulgação
O Instituto Inhotim, um dos mais importantes espaços culturais do país e considerado o maior museu a céu aberto da América Latina, prepara uma programação especial para celebrar seus 20 anos de história. Ao longo do segundo semestre de 2026, o público poderá vivenciar novas exposições e revisitar obras marcantes que consolidaram o instituto como referência internacional em arte contemporânea e preservação ambiental.
Conforme os curadores do espaço, as comemorações, iniciadas em abril com a inauguração de três novas obras, seguem no segundo semestre com uma agenda que conecta passado, presente e futuro. O Inhotim ganhou recentemente os trabalhos: Contraplano, de Lais Myrrha; Dupla Cura, de Dalton Paula e Tororama, de Davi de Jesus Nascimento, já disponíveis para a visitação.

A instalação do artista Edgard de Souza no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Em setembro, será inaugurada uma exposição comemorativa no Centro de Educação e Cultura Burle Marx, propondo um mergulho na trajetória do instituto. A mostra promete resgatar momentos marcantes da instituição e presta homenagem ao seu fundador, o empresário mineiro Bernardo Paz, responsável por transformar um sonho pessoal em um dos mais relevantes projetos culturais do Brasil.
Inhotim nasceu da conexão entre arte, natureza e educação, dialogando diretamente com práticas contemporâneas de sustentabilidade e responsabilidade social. “Ninguém constrói o futuro sem reconhecer o passado e viver o presente”, destacou a presidente do instituto, Paula Azevedo, ao reforçar o compromisso da instituição com sua missão.
Arte que transforma e atravessa o tempo
Em outubro, o público poderá conferir a renovação da Galeria Cildo Meireles, que ganhará uma nova obra: Missão/Missões (Como construir catedrais). O espaço já abriga instalações emblemáticas como Desvio para o vermelho e Através, experiências que desafiam percepções e convidam à reflexão.
Ainda no mesmo mês, retorna ao circuito uma das obras mais impactantes do acervo: The Murder of Crows, dos artistas canadenses Janet Cardiff e George Bures Miller. A instalação sonora, composta por 98 alto-falantes, cria uma experiência imersiva que mistura realidade e imaginação, provocando o visitante a sentir a arte para além do olhar.
Experiência sensorial e conexão com a natureza
Ao caminhar pelos 140 hectares de área visitável, o visitante encontra mais de 800 obras de artistas de diferentes partes do mundo, integradas a um jardim botânico com mais de mil espécies. É nesse encontro entre arte e natureza que Inhotim se consolida como um espaço de transformação. Obras como Lama Lâmina, de Matthew Barney, e Sonic Pavillion, de Doug Aitken, exemplificam essa proposta ao criar experiências sensoriais que conectam o visitante ao ambiente e às forças da natureza.
Memória, origem e pertencimento
O coração do Inhotim está no espaço Tamboril, onde uma árvore centenária simboliza a força da natureza que envolve todo o projeto. Foi ali, em uma antiga fazenda, que nasceu o instituto, hoje referência mundial. Outro marco é a Galeria True Rouge, criada para abrigar obra do artista Tunga, cuja relação com Bernardo Paz foi decisiva para a criação do museu.
Um legado que continua em construção
Duas décadas depois, o Inhotim se reafirma não apenas como um espaço de contemplação artística, mas como um território de preservação, educação e identidade. Ao celebrar seus 20 anos, o instituto convida o público a revisitar sua história e, ao mesmo tempo, projetar novos caminhos. Inhotim é um lugar onde arte, natureza e memória se encontram e onde cada visitante também passa a fazer parte dessa história.
*Com informações de Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil



