Segunda-feira 08 de Junho de 2026

Monlevadense assina roteiro de “Existo”,documentário que debate inclusão e acessibilidade

Com relatos de 14 personagens, o documentário “Existo” promove uma reflexão sobre inclusão, capacitismo e os desafios enfrentados diariamente pelas pessoas com deficiência. A obra tem roteiro do monlevadense Alex Aguiar, servidor público, diretor de Finanças do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (SINJUS-MG) e coordenador do Núcleo da Pessoa com Deficiência (NPD), que produziu o vídeo.


O documentário contou com contribuições da Iluri Filmes e aborda temas como acessibilidade, mercado de trabalho, legislação e tecnologias assistivas, ampliando o debate sobre direitos humanos e transformação social. Além disso, reforça o protagonismo de produtores culturais da região em pautas contemporâneas ligadas à inclusão.


Lançado em Belo Horizonte no dia 24 de abril no Una Cine Belas Artes, a exibição integrou as comemorações de aniversário do NPD. Durante a abertura, Alex Aguiar destacou que o filme nasceu da necessidade de ampliar o debate sobre inclusão para além das garantias legais. “Este documentário nasceu de uma inquietação minha: mesmo com os avanços, a inclusão ainda esbarra, principalmente, em barreiras atitudinais. Mais do que leis, é preciso mudança de consciência e comportamento. Nosso objetivo não é trazer respostas prontas, mas convidar à reflexão”, afirmou.


Narrativa imersiva e sensível


O diretor e produtor do documentário e da Iluri Filmes, Lourenço Veloso, destacou a proposta imersiva da obra, construída a partir de imagens captadas com câmera 360º. “Quando recebi o convite para dirigir este filme, a primeira pergunta foi: como abordar esse tema de forma sensível e, ao mesmo tempo, impactante? A escolha foi construir uma narrativa que promovesse aproximação, gerasse identificação e ampliasse o olhar do público a partir dos depoimentos”, explicou.


Inclusão como compromisso coletivo


A mesa de abertura contou com a presença do presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior; do desembargador Caetano Levi Lopes; além de representantes sindicais, magistrados e lideranças ligadas à pauta da inclusão, servidores públicos e convidados.


Em sua fala, o presidente do TJMG ressaltou que o órgão está aberto ao diálogo e disposto a promover mudanças necessárias para ampliar a inclusão e a acessibilidade. “Sabemos que não é possível transformar uma realidade de forma imediata, mas também sabemos que toda grande caminhada começa com o primeiro passo. Nesse contexto, a nossa parceria com os Sindicatos é de extrema importância. Em momentos como este, em que buscamos não apenas reconhecer direitos, mas também avançar em pautas de acolhimento e respeito, não há espaço para divisões”, declarou.


Já o desembargador Caetano Levi Lopes destacou a importância de ampliar debates, cursos e ações voltadas à inclusão dentro do Judiciário mineiro. Segundo ele, a Escola Nacional da Magistratura poderá atuar como parceira no fortalecimento dessas iniciativas. O magistrado também ressaltou o impacto da Constituição Federal de 1988 no avanço dos direitos das pessoas com deficiência. “Essa mudança de perspectiva permitiu avanços na legislação, inclusive no reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência, reforçando que todos são sujeitos de dignidade e devem ter acesso às mesmas oportunidades, respeitadas as particularidades de cada um”, afirmou.


O coordenador-geral do Sinjus, Alexandre Pires, enfatizou que a entidade tem ampliado o espaço destinado à pauta da inclusão, destacando a criação da Diretoria de Acessibilidade e Inclusão na atual gestão. “A luta das pessoas com deficiência continuará sendo prioridade, com a ampliação dessa pauta também no cenário nacional, inclusive por meio da Fenajud e do diálogo com o CNJ e outros tribunais. A presença de autoridades demonstra o comprometimento institucional, que já tem gerado avanços concretos na acessibilidade e na construção de um ambiente de trabalho mais inclusivo, que valorize não só a produtividade, mas também o bem-estar dos servidores”, pontuou.


Debate e próximos passos


Após a exibição do filme, o público participou de um debate com especialistas e representantes públicos. Entre os convidados estavam a autora do blog “Cadeira Voadora”, Laura Martins; o cientista social Romerito Costa; e o vereador de Belo Horizonte Wagner Ferreira.


As discussões abordaram os desafios enfrentados diariamente pelas pessoas com deficiência, especialmente no acesso ao trabalho, aos serviços públicos e aos direitos básicos, além da necessidade de transformar o debate em políticas públicas efetivas.


Conforme Alex Aguiar, a expectativa agora é que o documentário “Existo” seja exibido em órgãos públicos e escolas das redes municipal e estadual. Ele também pretende inscrever o filme em mostras de cinema. O objetivo é ampliar o alcance das discussões sobre acessibilidade, inclusão e respeito à diversidade.

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