Quarta-feira 08 de Julho de 2026

Festival Baobá transforma João Monlevade em território de ancestralidade, arte e futuro

Há árvores que atravessam séculos e se tornam símbolos porque carregam histórias, memórias e representam a força de um povo. O baobá, reverenciado em diversas culturas africanas como a “árvore da vida”, é uma delas.

Suas raízes profundas e sua resistência inspiram mais uma edição do Festival Baobá, que nos dias 3,4 e 5 de julho transforma a Praça do Povo, em João Monlevade, em um grande território de encontro entre memória, ancestralidade, arte, identidade e futuro.

Promovido pela Prefeitura de Monlevade, através da Fundação Casa de Cultura, o evento se consolida como uma das mais importantes celebrações das culturas negras do Médio Piracicaba.

Em sua sexta edição, o Baobá afirma-se como um espaço de valorização das culturas afro-brasileiras, africanas e afrodiaspóricas, promovendo reflexões sobre igualdade racial, pertencimento, diversidade e reconhecimento das contribuições históricas da população negra para a formação da sociedade brasileira.

Com o tema “Pretas Tradições”, a edição de 2026 propõe um diálogo entre ancestralidade e contemporaneidade. É um convite para reconhecer que a cultura negra não pertence apenas ao passado, mas segue viva na música, na gastronomia, na literatura, na estética, nos saberes tradicionais, nas manifestações populares e nas expressões urbanas que movimentam as novas gerações.

Música que conecta gerações e territórios

A programação artística reflete essa diversidade. O festival reúne nomes históricos da música negra brasileira e representantes da nova cena nacional.

Entre os destaques estão o rapper Rincon Sapiência, referência por sua fusão entre rap, afrobeat, funk e ritmos da diáspora africana; a dupla Tasha & Tracie, expoente da nova geração do rap e do trap brasileiro; o lendário Fundo de Quintal, um dos grupos mais influentes da história do samba; e Sandra Sá, uma das maiores intérpretes da música brasileira e símbolo da força do soul e da black music nacional.

O Baobá também abre espaço para artistas mineiros e regionais que representam diferentes vertentes da cultura negra contemporânea.

A cantora Fran Januário, ao lado da tradicional sambista Dona Eliza e da clarinetista Thamiris Cunha, celebra o protagonismo feminino no samba. O grupo O Culto da Rua apresenta a força da nova cena black mineira, enquanto Nêga Kelly presta homenagem a Lauryn Hill e Bob Marley, dois artistas que transformaram a música em instrumento de identidade, resistência e transformação social.

Muito além dos palcos

Mas o festival vai muito além da música. A ancestralidade estará presente nas guardas de Congado, nas intervenções culturais, no teatro de rua do ContAfro, da Associação Monlevadense Afrodescendente (Amad), e nas atividades formativas que dialogam com a memória, os saberes tradicionais e as tecnologias ancestrais.

A gastronomia também ocupa lugar de destaque. A feira de afrogastronomia propõe uma viagem pelos sabores afro-brasileiros, africanos e afrodiaspóricos, reafirmando a culinária como patrimônio cultural e expressão de identidade.

O público encontrará ainda feira de empreendedorismo negro, espaço de letramento racial, oficinas, artesanato, literatura, Espaço Erê para as crianças e o Espaço Beleza Preta, com atendimento gratuito de trancistas e maquiadoras.

A centralidade das mulheres negras

Para a presidente da Fundação Casa de Cultura, Nadja Lírio, o Festival Baobá representa mais do que uma programação cultural: é uma oportunidade de ampliar narrativas e disputar imaginários.

“Por muito tempo, a experiência negra foi reduzida a narrativas estreitas, como se fosse possível resumir em uma única história a diversidade de povos, estéticas, pensamentos e formas de existir que compõem a diáspora africana. Mas a cultura negra sempre foi maior do que os limites que tentaram impor a ela. Ela está na ancestralidade e na invenção de futuros. Nas tradições que preservamos e nas vanguardas que criamos”, afirma.

Segundo Nadja, a edição deste ano presta uma homenagem especial às mulheres do movimento negro e às grandes matriarcas das artes, da cultura e da política.

“Que elas sejam maioria em nossa programação não é um gesto simbólico. É o reconhecimento de uma centralidade histórica que nem sempre recebeu o devido destaque. Tenho muita alegria de construir um festival que celebra não apenas a potência negra, mas também sua profundidade, complexidade e infinita capacidade de reinvenção”, destaca.

Ancestralidade como presença e futuro

Em um país profundamente marcado pelas heranças africanas, iniciativas como o Festival Baobá cumprem um papel fundamental. Elas tornam visíveis histórias, saberes e expressões culturais que ajudaram a construir João Monlevade, Minas Gerais e o Brasil.

Durante o fim de semanan, a Praça do Povo se transforma em um espaço de celebração, reconhecimento e fortalecimento dessas heranças, reafirmando que ancestralidade não é apenas memória: é também presença, criação e futuro.

Artigos Relacionados

  • All Post
  • Agenda Cultural
  • Entrevistas
  • Notícias
  • Patrimônios

PUBLICAÇÕES / LIVROS

PUBLICIDADE

Edit Template

NewsLetter

Seja o primeiro a saber das notícias, inscreva-se em nossa NewsLetter

© Rotha Cultural – João Monlevade e Região