(*) Por Erivelton Braz
O Jornal Rotha Cultural chega a 30 edições, o que representa a consolidação de um compromisso permanente com a cultura, a memória, as identidades e o patrimônio histórico de João Monlevade e de toda a região do Médio Piracicaba. Em tempos de informações rápidas, algumas descartáveis e frequentemente superficiais, manter um veículo especializado, gratuito e dedicado exclusivamente a esses temas é, por si só, um ato de resistência cultural.
Desde sua criação, em 2022, o Rotha Cultural nasceu da convicção de que uma comunidade só compreende plenamente o seu presente quando conhece sua própria trajetória. Acredito que é preciso entender o que fomos para saber o que somos e quem seremos. Ao longo desse tempo, cada edição distribuída gratuitamente em escolas, bibliotecas, instituições culturais, espaços públicos e locais de grande circulação leva consigo o conhecimento que se torna democratizado.
Além disso, provoca reflexões, fortalece o sentimento de pertencimento e contribui para que histórias, tradições e referências coletivas da região não sejam esquecidas. O antropólogo e crítico cultural Néstor García Canclini defende que a cultura é um dos principais elementos de construção da cidadania. Para ele, o acesso aos bens culturais e ao conhecimento sobre a própria identidade é condição fundamental para a participação social.
Nesse sentido, democratizar o acesso à informação cultural não é apenas divulgar eventos ou registrar patrimônios; é ampliar oportunidades para que as pessoas compreendam quem são, de onde vieram e quais legados desejam preservar para as futuras gerações. Da mesma forma, Umberto Eco alertava que os meios de comunicação exercem papel decisivo na formação da consciência coletiva.
Quando a mídia escolhe valorizar determinados temas, ela contribui para definir aquilo que uma sociedade considera relevante. Por isso, a existência de uma imprensa especializada em cultura possui uma função estratégica de iluminar assuntos que, muitas vezes, permanecem à margem dos grandes noticiários, mas que são essenciais para a construção da memória social.
Ao chegar às escolas, o Rotha Cultural assume uma missão ainda mais importante. Professores e estudantes encontram em suas páginas conteúdos que dialogam diretamente com a realidade local, aproximando os jovens da história de suas cidades, de seus patrimônios materiais e imateriais, de seus artistas, mestres da cultura popular e personagens que ajudaram a construir a identidade regional. E isso fortalece a tese de que conhecer a própria história é um dos caminhos para desenvolver consciência crítica e responsabilidade cidadã.
Destaca-se que o Rotha também está na internet, em um site próprio e no instagram, democratizando ainda mais essas informações e o conhecimento. Ao longo dessas 30 edições, registramos bens culturais, divulgamos projetos, valorizamos artistas, acompanhamos políticas públicas, contamos histórias e documentamos memórias que poderiam se perder com o tempo. Cada exemplar em cada uma das trinta edições representa uma pequena ação de preservação.
Entretanto, acredito que somadas, essas ações formam um importante acervo sobre a vida cultural do Médio Piracicaba. Celebro esta marca, reconhecendo o trabalho de instituições parceiras, sobretudo, da Prefeitura e Câmara de João Monlevade, que desde o início acreditam neste projeto; dos colabores e agentes cultrais que sabem a importância da memória como patrimônio vivo. O Rotha Cultural, além de um jornal mensal, tornou-se um instrumento de educação, preservação e transformação social. Viva! Proteger nossa memória é também construir o futuro.
(*) Erivelton Braz é Mestre em Letras,Teoria Literária e Crítica da Cultura, professor de Literatura, jornalista e escritor. Fundador da Rotha Assessoria e editor do Rotha Cultural


