O engenheiro que imaginou a grande siderúrgica de Monlevade tem busto e retrato no saguão da Câmara Municipal de João Monlevade. Peças ajudam a preservar a memória de um personagem decisivo para a história da cidade.
Antes de Louis Ensch colocar em prática o grande projeto siderúrgico de Monlevade, outro europeu precisou acreditar que ele era possível. Seu nome era Gaston Barbanson. Engenheiro e industrialista ligado ao grupo luxemburguês ARBED, Barbanson foi um dos principais articuladores da criação da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira e teve papel decisivo na escolha das antigas terras de Jean Monlevade para a implantação de uma grande usina de aço. A história da cidade industrial, portanto, começa um pouco antes das máquinas, dos altos-fornos e das primeiras casas da futura João Monlevade.

E parte dessa memória pode ser encontrada em um lugar inesperado: o saguão da Câmara Municipal de João Monlevade. Quem entra no prédio do Legislativo pode observar um busto de Gaston Barbanson, em bronze, acompanhado de um quadro com sua imagem. As peças integram o conjunto de referências históricas que ajudam a lembrar personagens que tiveram participação na formação do município.
O Sonho
No início da década de 1920, Barbanson enxergou nas antigas terras de Jean Monlevade uma possibilidade que ainda parecia distante. A área reunia as ruínas da antiga fábrica de ferro e a região da Mina do Andrade, com minério de boa qualidade. Em 1921, a ARBED consolidou sua associação com a siderúrgica de Sabará, dando origem à Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira. A aquisição das terras de Monlevade fazia parte de uma estratégia mais ampla de expansão da indústria siderúrgica no Brasil.
A escolha não significava que a grande usina seria construída imediatamente. Naquele momento, ainda havia dificuldades de transporte, infraestrutura e mão de obra. Sabará acabou recebendo inicialmente os investimentos mais urgentes. Mas Monlevade permaneceu no horizonte. Barbanson acreditava que aquele território poderia abrigar uma grande siderúrgica. A antiga propriedade de Jean Monlevade, que ainda guardava as marcas da experiência pioneira do francês, seria transformada em um novo centro industrial.
Barbanson foi o homem da visão estratégica e da articulação empresarial. Tanto que em 1935, a pedra fundamental da Usina de Monlevade foi lançada com a presença do presidente Getúlio Vargas e do próprio Barbanson, então presidente da ARBED. A siderúrgica recebeu inicialmente o nome de Usina Barbanson, em homenagem ao seu principal incentivador.
Uma memória no saguão
A presença do busto e do retrato na Câmara Municipal tem justamente esse sentido: manter visível uma parte da história que poderia desaparecer com o tempo. Hoje, sua imagem instalada no saguão da Câmara pode ser observada por quem visita o Legislativo. Não é apenas um retrato de um industrial europeu. É uma lembrança de que a cidade começou a ser imaginada antes de ser construída.
Gaston Barbanson morreu em Luxemburgo, em 1946. Seu nome, entretanto, permaneceu ligado à siderurgia brasileira. Na época, a imprensa o apontou como um dos responsáveis pelo desenvolvimento da indústria siderúrgica no país e destacou sua participação na criação da Usina de Monlevade.



