A democratização do acesso à cultura em Minas Gerais ainda é um desafio para grande parte dos municípios do interior. Dados do Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS), da Fundação João Pinheiro, revelam que apenas 22,6% das cidades mineiras possuem teatro ou casa de espetáculos. Na prática, isso significa que 77,4% dos municípios do estado não contam com espaços culturais estruturados para apresentações artísticas.
Em meio a esse cenário, iniciativas itinerantes ganham importância ao levar produções culturais para regiões fora do circuito tradicional das grandes cidades. É o caso do CoopEncena, projeto do Sistema Ocemg, que vai percorrer o interior de Minas em 2026 com dois sucessos do teatro mineiro: “Acredite, um Espírito Baixou em Mim”, uma das comédias mais longevas do país, com 27 anos em cartaz e mais de 3 milhões de espectadores, e “Velório à Brasileira”, sátira que também conquistou o público mineiro.
A proposta, conforme os produtores, reforça um movimento de descentralização do acesso à cultura no estado, aproximando o teatro de públicos que, muitas vezes, nunca tiveram contato com uma montagem profissional. Segundo o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, a experiência transforma a relação das comunidades com a arte. “Boa parte dos espectadores do CoopEncena conhece, pela primeira vez, a emoção que só o teatro oferece através do programa. Essa experiência única é proporcionada por cooperativas locais, interessadas em levar cultura e arte para suas comunidades”, afirma.

Além de promover o acesso cultural, o projeto também aposta na solidariedade. O ingresso para as apresentações é trocado pela doação de alimentos não perecíveis, destinados posteriormente a instituições sociais das cidades participantes. Desde sua criação, em 2004, o CoopEncena já arrecadou mais de 156,9 mil quilos de donativos, beneficiando 406 instituições em diferentes regiões mineiras.
As apresentações acontecem em espaços alternativos, como clubes, auditórios, praças e quadras, estratégia que permite superar a ausência de equipamentos culturais em muitos municípios. Em média, segundo a produção, cada sessão reúne cerca de 490 espectadores.
Apresentações
Em 2026, o projeto chega pela primeira vez às cidades de Capitólio (sudoeste), Raul Soares (Zona da Mata) e Martinho Campos (Centro Oeste). Varginha (sul) e Barbacena (centro sul) recebem o circuito pela segunda vez. Já Guaxupé (sudoeste) e Uberaba (triângulo) retornam à rota do CoopEncena pela terceira e quarta vez, respectivamente.
Iniciativas como o CoopEncena evidenciam a importância de políticas e ações voltadas à descentralização cultural em Minas Gerais, ampliando o acesso da população, sobretudo do interior, à arte, à formação de público e à experiência coletiva proporcionada pelo teatro.





