Durante três dias, o festival transformou a Praça do Povo em território de encontros entre tradição, música, religiosidade, arte e memória, reafirmando a cultura afro-brasileira como patrimônio vivo da cidade
O Baobá, árvore sagrada de raízes profundas e copa generosa, empresta seu nome a um dos mais importantes movimentos de valorização da cultura negra em João Monlevade. Entre os dias 3 e 5 de julho, a edição 2026 voltou a ocupar a Praça do Povo. O evento reuniu milhares de pessoas em torno da música, da literatura, da gastronomia, da religiosidade, das manifestações tradicionais e das múltiplas expressões das culturas afro-brasileiras, africanas e afrodiaspóricas.

Promovido pela Prefeitura de João Monlevade através da Fundação Casa de Cultura, o festival reafirma um propósito que vai além da programação artística: reconhecer a contribuição da população negra para a formação da identidade brasileira e fortalecer políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial, da memória e da diversidade cultural.
Durante três dias, o espaço público transformou-se em um território de convivência e celebração. Barracas de artesanato, literatura, culinária e economia criativa dividiram espaço com apresentações musicais, cortejos tradicionais, oficinas, rodas de conversa e manifestações religiosas, evidenciando a riqueza de um patrimônio cultural construído ao longo de séculos.
Atrações
A abertura do festival, na sexta-feira (3), foi marcada pela celebração das religiões de matriz africana, seguida pela tradicional Batalha da Doze e pelos shows de CesarWil e SuFerrarini. No sábado (4), a ancestralidade ocupou as ruas com o cortejo da Guarda de Marujos Nossa Senhora do Rosário e da Guarda de Congado Nossa Senhora de Santana, manifestações que preservam uma das mais importantes tradições culturais de Minas Gerais.

Ao longo do dia, o público acompanhou apresentações culturais, contação de histórias e shows de Fran Januário, DJ Black Josie, O Culto da Rua, culminando nas apresentações de Rincon Sapiência e da dupla Tasha & Tracie.

O domingo (5) reuniu famílias, jovens e visitantes em uma programação distribuída em dois palcos. Passaram pelo festival nomes como Fundo de Quintal, Mihai, Nega Kelly, Sandra de Sá e Família Alcântara, além de atividades como oficina de capoeira infantil, transmissão da partida da Seleção Brasileira em telão e o encerramento ao som do grupo Samba D’Ouro, reforçando o caráter plural e democrático do evento.

O Baobá, em 2026, consolida-se como um espaço de reconhecimento das raízes que ajudam a contar a história de João Monlevade. Ao reunir diferentes gerações, linguagens artísticas e tradições, o evento fortalece o sentimento de pertencimento e amplia o diálogo sobre identidade, respeito e diversidade.
Para a diretora-presidente da Fundação Casa de Cultura, Nadja Lírio Furtado, a força do Baobá está justamente na forma como foi incorporado pela população. Segundo ela, o festival tornou-se uma das maiores conquistas da política cultural do município. “Entre todos os desafios que a gestão da cultura em Monlevade nos impõe, quebrar preconceitos, abrir novos espaços, difundir a cultura monlevadense e aproximar os agentes culturais, colocando Monlevade no mapa cultural do Brasil, acredito que o Baobá é uma das maiores conquistas que jamais poderíamos realizar. A forma como ele ganhou legitimidade através da participação do povo é prova de que o Baobá não é apenas importante; ele é necessário, imprescindível. O Baobá vive e vai continuar vivendo, mesmo depois de não estarmos mais aqui”, destaca Nadja Lírio.
O sucesso de público e a diversidade das atrações demonstram que o Festival Baobá ultrapassou a condição de evento anual para tornar-se parte da identidade cultural de João Monlevade. O Baobá contribui na preservação da memória afro-brasileira e cria espaços de expressão artística. Além disso, destaca que reconhecer a diversidade do município e destacar a aultura preta é uma das maiores riquezas.



